O calor da torcida: Galo x URT

17:52:00 Joi Borge 0 Comentários


Não pensei que aquele jogo seria tão interessante.

Então cá estou para um depoimento, depois de batalhar comigo mesma e minha boa vontade, resolvi descrever essa sensação única que é estar no meio de uma torcida tão apaixonada quanto a do Galo, claro que muitos vão julgar a sua a mais apaixonada, mas não é o fato de estar ou não com uma torcida específica, mas sim estar no meio dela em si. Eu achei que seria fácil, o bom do esporte é isso, ele nos surpreende, eu fui como mera espectadora e apesar de ser de longe o melhor jogo da minha vida, pude sentir a incrível sensação que é estar no meio de outros apaixonados.

Minha saga teve início muito tempo antes de o jogo começar, na minha batalha por um ingresso. A briga maior nem foi para conseguir comprar, foi minha luta interna entre gastar 50 reais ou não gastar, acabei cedendo, pois vejamos: Meu time só vem aqui o interior, na minha querida Patos de Minas, uma vez no ano. Então logo pensei comigo " Não sejamos mão fechada, Joice. Faz esse esforço ". Ouvi de muita gente que 50 reais para ver jogo da URT não valia, que preferia ver na TV, talvez os menos apaixonados confirmaram a sua perspectiva de que não valia mesmo com a derrota do Galo, mas eu te digo, VALEU!

Eu tinha com quem ir, furaram, não foram, não puderam, cada um com seus motivos, não os julguei. Tinha até uma amiga que ia encontrar lá, mas não a achei, na verdade fiz alguns, mesmo que de minutos, ótimos amigos. Falando em amizade ... Ganhei carona de um velho amigo que estava indo lá pra perto, ótimo! Já sentia aquela energia boa quando desci do carro e OPA! Chuva, meu cabelo tava tão lindinho. Lá fui eu comprar a capa de chuva com ... er ... Os únicos 10 reais que eu lembrei de levar, logo na entrada eu sabia que não ia comer nada, mas também ... Nem se eu tivesse dinheiro pra distribuir ia perder cada segundo.

Logo no aquecimento eu percebi uma coisa: A torcida da URT canta pra caramba, eram minoria mas cantavam muito, faziam festa, não se importavam se o pessoal entrava atrás do bandeirão, se o do lado era desconhecido, era todo mundo muito amigo. Eu olhei em volta e no começo senti uma pontadinha de inveja, a maioria do lado do Galo parecia ser de torcida organizada, gente que não olhava na sua cara. Respirei fundo, grudei na grade disposta a filmar a melhor coisa possível, na grade fiz amigos, por incrível que pareça.

Primeiro foi uma mocinha que gritava tanto que meus ouvidos doeram. Ela falava palavras feias para o goleiro da URT, pedia pra eu gritar mas eu boba só ria dela mesmo. O jogo começou e olha lá ela gritando como uma doida. Saí de perto dela mais por causa de ângulo pra filmar, não tinha achado um perfeito, mas encontrei. Lá eu vi um pai com um filho, viraram meus companheiros fiéis, o menininho rindo pra mim o tempo todo, o pai com ele no ombro não piscava, do meu outro lado um rapaz que deveria ter quase a minha idade e que filmava cada jogador que passava perto de nós com tanta fé que poderia passar pela grade.

Parte de mim estava revoltada por ali só ter reservas quase, mas gritei cada um deles, pois eu como apaixonada que sou conheço todo o elenco do meu time ... Ou quase, alguns novatos eu ainda confundia. Ri comigo mesma ao constatar que a TV não engorda, ela aumenta, jogadores como Júnior Urso parecem bem maiores na tela que pessoalmente. Eu não piscava e gritava por Robinho, Dátolo e Cazáres o tempo todinho, reclamava que jogador da URT só caía, cornetava no meu típico papel de torcedora que queria gols, mas eles não vinham.

Entre uma jogada e outra - seja no primeiro ou segundo tempo - dedicava-me a filmar o que passava no campo, além das minhas inúmeras tentativas de fotografar o Victor de costas, assumo minha culpa por ficar fotografando sua retaguarda. Em um dos vídeos que fiz não sei se tive sorte ou azar, gritava para baterem logo a falta e naquele desespero em ver a jogada, filmei toda a cobrança de falta que resultou no gol, confesso que não acreditei no que via a frente dos meus olhos ou na lente da câmera.

Eu como atleticana ferrenha não desacredite, a URT não ganhava a tanto tempo e não seria naquele momento né? Eu estava errada. No apito final os jogadores caíram no campo, mas eu só fui cair na real na segunda feira quando vieram me zoar, nem eles e nem eu acreditava no que via, era incrédulo demais pensar que a URT ganharia, mas ganhou, independente de time titular ou reserva, não arrumemos desculpas. Eu voltei pra casa com outro amigo que foi me buscar, ainda com o coração palpitando e os cânticos na cabeça, já ávida por outra experiência na torcida como aquela, se bem que ... Da próxima poderia vir uma vitória.

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.