Vamos falar de anjos
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| Uma carta a quem já perdeu alguém |
Agora dói, é incompreensível e é como se nos arrancasse o chão, pois era nossa base. Abrimos e fechamos os olhos tantas vezes, talvez seja só um pesadelo, mas a realidade é dura, tão forte como um soco no rosto. Não ... Um soco seria milhões de vezes melhor, a dor passa, vai embora, há quem nos acalente o suficiente para esquecer dela, mas essa que frita o peito agora é fugaz, imprópria e incompreensível. Nós não nascemos com o dom de saber perder, mesmo que poucas coisas sejam tiradas de nós, algumas nunca realmente são deixadas de lado, pois não são repostas, jamais.
Hoje é Willian, amanhã pode ser eu, você ou qualquer outro, essa dor esmagadora que invade o peito é quase irracional e incompreensível, não da para entender porque hoje estamos aqui e amanhã já não é mais nosso lugar. Pois isso hoje as palavras vão para essas pessoas que assim como o meia do Chelsea perderam alguém, seja hoje, ontem ou em qualquer dia próximo ou distante. Hoje nós vamos falar de anjos, pessoas que partem das nossas vidas e deixam muito mais que lembranças.
Você vai fechar os olhos e as únicas coisas que vão ver são lembranças, sua cabeça se recusa a mudar de assunto, pois é recente, é real. Por mais que aquele que foi nunca quisesse ver teu pranto, ele virá pois é inevitável, algo está aberto em você, fora arrancado com tanta força que não tiveras tempo de mais nada a não ser de olhar atônito para verdade, há uma lacuna em sua vida. Nesse momento não lhe pedimos calmaria, nem que segure as lágrimas. Chore, libere cada centímetro cúbico de sentimento que seu corpo possuir, deixe fluir, assim como quem já partiu.
Quando se sentar e começar a pensar como será a vida daqui para frente, será esse momento o mais difícil de todos, como prosseguir, como dar o próximo passo. Anjos nunca vieram a essa vida a toa, eles nos preenchem, nos ensinam, educam, dão amor e outras tantas coisas, mas nunca estamos preparados ou avisados de suas partidas. No interior de uma mansão ou em um singelo cômodo em um bairro pobre, somo todos iguais, todos perdemos alguém e precisamos superar, mas não aqui, não agora, dói demais para ser frio o suficiente e não sentir.
Então a Willian apenas digo que sinta ... O amor que nutria por sua mãe, o carinho e tudo que ela te passou em vida. Sinta as broncas, os abraços, os momentos em que lhe acolheu no colo e beijou-lhe a testa ou um machucado qualquer. Deixei que seu corpo também seja preenchido pela sua voz, seus conselhos e momentos difíceis em que só ela pode te socorrer, mesmo por mais banal que fosse a situação. Sinta tudo, sem vergonha, sem medos, sem nada que te prenda, se tiver que extravasar o faça, não contenha nada disso.
Mas é importante dizer que deve-se sentir o outro lado, como as lacunas que vão ficar, a voz que não será mais ouvida, o calor de seu corpo nem a visão acalentadora de seu rosto, que trazem com ele as mil lembranças de toda uma vida de amor. Sinta a partida e a dor que ela trás, por pior que seja ... A dor significa o vazio e ele também deve ser sentido como o cheio, inevitavelmente meu caro Will, isso vai doer bastante e não há como dizer que vai simplesmente se acostumar, não há como fazê-lo, pois não há como preencher.
Você irá passar por isso e esperamos que passe bem. Leve o seu tempo, o que precisar para colocar tudo no lugar. A cada vez que chorar ao lembrar dela, olhe para o alto e saiba a verdade ... Ela continuará olhando para você como sempre olhou e como muitos olham, como orgulho, mas agora ela está com outros anjos, anjos que como ela se desprenderam de suas vidas por aqui e deixaram pessoas como você trilharem seu caminho até o reencontro. Para momentos como esse ficam a força, a fé desejada e a lembrança de que anjos são passageiros nessa vida, mas eternos em nossos sentimentos e existência.


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