Questão de empatia

12:30:00 Joi Borge 0 Comentários


Sonhos interrompidos em uma noite chuvosa na Colômbia

O canto da torcida fica cada vez mais baixo, os sorrisos se desmancham de cada um dos rostos e as bandeiras perdem sua cor parando de balançar de acordo com o vento. O silêncio toma conta e por alguns momentos ficamos estáticos tentando absorver o que tinha acontecido, nós não entendemos como pode ser possível, como pode ser justo aquela estrela em ascensão piscar algumas vezes e ficar apagada por alguns instantes, nós não conseguimos aceitar ou assimilar a verdade de o que aconteceu naquela madrugada de segunda para terça feira seja real.

Acordamos atônitos com o que aconteceu com a Chapecoense, justo com o Chape, talvez por isso tenha doído tanto, era nosso xodó, aquele time que independente de tudo e de todos nós torcíamos, era a parte mais pura do que significava persistir, nós nos víamos na Chapecoense, era a esperança de que algo realmente poderia dar certo, tudo estava encaminhado, o impossível era o certeiro e próximo, mas o verdadeiro impossível aconteceu e aquelas estrelas deixaram de brilhar em terra e foram brilhar no céu.

O futebol e seu poder de união nunca deixaram de me surpreender, era uma coisa atrás da outra, mesmo em tempos de angústia e business como os atuais. O que houve com a Chape extrapolou fronteiras e mostrou que aquele pequeno time de Chapecó de pequeno nada tinha que que o futebol acima de tudo é uma grande família, compadecer-se pelo próximo virou sinônimo de fazer parte de algo, todos abraçaram a mesma causa, naquele momento nós não nos importamos se vestíamos as mesmas cores, éramos todos irmão, éramos todos Chapecoense.

Toda homenagem possível ainda seria pouco, cada lembrança pequena seria motivo para chorar, seja pelo cartão amarelo pro Caramelo, Thiaguinho que havia descoberto que ia ser pai a pouco tempo ou até Danilo, ou São Danilo como os torcedores da Chape o chamavam, realmente ... Danilo está no céu agora como outros santos. A quem fica restam as lembranças, a quem foi nos resta sentir saudade. Com uma aula de solidariedade o Atlético Nacional e sua torcida começaram a onda gigantesca de amor e com-patriotismo, mostrando que nos fim das contas nós vestimos as mesmas cores, precisou de uma equipe de fora de nossas fronteiras se compadecer, enquanto outros que mais conheciam a Chape - como o Internacional - colocaram suas dores como maiores.

O futebol mais uma vez deu uma aula, foi a Chape mas poderia ser qualquer outro time. Não importam as cores, os momentos de altos ou baixos, se todos se foram ou se sobraram alguns pois são vidas ali, são sonhos que ficaram, histórias que foram obrigadas a dar um ponto final e outras a quem foi permitido uma vírgula. Não é questão de conhecer e sim de sentir, colocar-se no lugar e lembrar-se da maior premissa do futebol que é o coletivo, não estamos sozinhos e nem precisamos estar só, ontem, hoje e amanhã isso permanecerá em nossa mente, os heróis de Chapecó.

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