Futebol não é para qualquer ser humano

13:57:00 Joi Borge 0 Comentários

Esforços necessários para manter as estruturas de pé!

Futebol não é pra todo mundo, isso é uma coisa que eu aprendi dia após dia observando os treinos do clube onde eu trabalho hoje, o que eles são e vivem diariamente é um reflexo mundial do que é o futebol de verdade, pois venhamos e convenhamos, apesar das dificuldades continua sendo o velho futebol que conhecemos. Aqui sentada no banco de reservas e os observando correr no vento frio de uma manhã de Julho, percebo que quando se fala de futebol as coisas são muito maiores do que 22 caras correndo atrás de uma bola ou sobre quem driblou quem, no conceito básico é isso, mas sabe ... Futebol não é o básico, não é o feijão com arroz e definitivamente quem faz o que todo mundo faz, uma hora se torna obsoleto, minha avó sempre dizia e isso serve para absolutamente tudo!

Bláblá, futebol não é só um esporte. Okay, vamos deixar esse primeiro clichê de lado, ele é sim um esporte, mas não pode ser definido apenas como isso, em tempos que tanto se prega a repulsa a rotulação, não vamos fazer o mesmo com o esporte mais amado do mundo. Vamos, dê o braço a torcer, todo mundo – ou quase – ama o futebol e é por isso que eu digo que ele não é para qualquer um. Deve estar pensando em questão de amor, bom ... Um pouco, não é todo mundo que entende a aflição, não é todo mundo que consegue sentir a sintonia, ah! Não é todo mundo que sente o coração bater no mesmo ritmo, olha ... Você tem que estar conectado na mais alta freqüência, já aviso.

Vamos, você é velho demais meu jovem, na sua idade o Neymar já tinha milhões de medalhas empilhadas em seu quarto, já tinha lotado a sala de troféus do Santos, ele tinha até mesmo sido convocado para a Seleção Brasileira. Tsc, tsc ... Quantos bons meninos perdemos assim? Alguns? Milhares? Vivemos em uma utopia em que um novo Neymar vai surgir em um piscar de olhos, com um pouco de sorte eles arriscam uma nova Marta, um novo fenômeno quem sabe, mas agora ... Sabe o real motivo de ambos darem certo enquanto pseudo-Marta-e-Neymar caem no esquecimento? Bom ... Começa pelo fato deles não quererem ser o próximo ninguém, serem simplesmente o primeiro de seu nome, serem uma Daenerys do futebol. Não é só o escanteio curto que temos que abolir de nossas vidas futebolísticas, mas também as comparações de que alguém tem que ser tão bom – ou mais ainda – do que outro, que tem que ser como fulano, ninguém é igual e isso só reprime talentos.

O futebol é cruel, é ingrato e é surpreendente, se gasta-se muito e se fatura-se o suficiente para se manter de pé, no pior dos casos basta fechar e quitar o que deve, talvez só tentar. O calendário do futebol nacional é injusto, segue aquela velha história de o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre. Enquanto os times da série A tem calendários apertados que os obrigam a viver em alta voltagem, os times das séries inferiores jogam cada jogo como se fosse o último, pois pode ser. Uma preparação intensa que dura – muitas vezes – só até o fim dos estaduais, datados de no máximo o começo de Junho, nem seis meses de trabalho, um investimento que muitas vezes não volta e se isso não acontece como batalhar para avançar? Prospera-se o marasmo.

O dia nacional do futebol coroa muitas falhas, aquelas de quem trabalha em prol dele, de pais de família que só estão ali para colocar comida na mesa e acabam por sofrer erros de quem tem o luxo de cometê-los, mesmo que não devessem. Falhas também em prol daqueles que podem, não é mesmo Internacional? Quem pode, pode, quem não pode, senta e chora. Não ... Verifica as chuteiras e a si mesmo, posso jogar mais? A resposta não pode ser outra se não a positiva, não se ganha onde se desiste. O dia lembra das belezas, da emoção e de onde somos levados por essa sintonia, mas que não se esqueça nunca de seu lado sombrio, pois o futebol ainda é e sempre será business, sejamos francos meu caro Daniel Alves, quem vive apenas de amor ao futebol morre de muitas coisas além da fome, queremos sim dinheiro, estar no topo do mundo, nada da síndrome de vira-lata.

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